11 de Abril de 2014

Arco de Vandoma

In «Periódico dos Pobres do Rio de Janeiro», de 9 de Outubro de 1855

30 de Dezembro de 2013

Convento de Monchique

Fotografia de 1862 (do Arquivo Municipal do Porto)
Bem visiveis ainda os vários edificios que compunham o Convento de Monchique (fundado em 1533).
Em primeiro plano as obras da construção da nova Alfandega (completada em 1865).
No canto superior esquerdo, a Capela de Carlos Alberto ( de 1854) e as obras nos terrenos do futuro Palácio de Cristal (1865)

11 de Dezembro de 2013

O Teatro Nacional Portuense



Inaugurado em dezembro de 1913, foi uma iniciativa de dois empresários: José Pinto Roque e César A. Cunha Santos. Ficava situado na rua Elias Garcia.

Da sua descrição, destacamos:

 «A escadaria quer conduz ao salão de espectáculos, ornamentada com artísticos varões de metal amarelo, é branda e suave. Uma vez no vestíbulo da entrada já ahi se iniciavam os trabalhos artisticos que na sala teem maior relevo.

As artisticas pinturas dos srs Ribeiro & Moreira são do melhor que se tem visto em casas d'esta natureza.

A iluminação profusamente distribuida por milhares de lampadas eletricas não tem egual em nenhum teatro portuguez. Dir-se-ia que estamos em Paris ou Madrid onde os teatros capricham em tudo quanto se referem a iluminações.

O teatro Nacional é em forma de ferradura, em uma ordem de camarotes e três de filas de balcão.
A plateia, que é das maiores em teatro portuguez, ocupa todo o espaço que vae do palco, que é também vasto e amplo, a gradaria que circunda os logares de geral bastante comodas a que não faltam até as almofadas fôfas e macias.

Em excelentes condições de segurança, não há o menor receios de qualquer acidente.Tem inumeras portas em todas as paredes do vasto salão, de forma que, em poucos minutos, se esvasiaria das mil e quinhentas pessoas que lá podem caber.(...) 

É uma linda sala de espetaculos como poucas temos visto até agora. A definição artistica da sua iluminação, os reposteiros e estofos dos camarotes, verdadeiramente luxuosos, tudo é, enfim, de molde a felicitarmos a empresa por ter dotado a capital do norte com um teatro que é uma maravilha»

in revista Ilustração Portugueza de 22 de Dezembro de 1913.

Em 1923 seria objecto de obras e reinaugurado como Teatro Rivoli.

9 de Dezembro de 2013

Espelho


8 de Agosto de 2013

A «Lisboa» de que todos gostamos....

 Embora este seja um espaço dedicado à nossa cidade, não ignoramos que outras cidades, nomeadamente a nossa capital, Lisboa, tem igualmente recantos encantadores e que o seu afamado rio Tejo em tempos idos tinha uma actividade intensa e pitoresca. A agitação mercantil das suas zonas ribeirinhas deram azo a bonitos postais que ainda hoje se apreciam com especial prazer......



A Ponte «D. Fernando»....

Legenda: OBRAS PÚBLICAS EN PORTUGAL.
OPORTO - Puente de Hierro denominado "Don Fernando", sobre el Duero...Inaugurado por S. M. El Rey D. Luis I, el 4 del actual - De un dibujo remitido por D. Laureano Fernandez.
Na revista:  Ilustracion Española y Americana1877

16 de Junho de 2013

50 anos do martelinho de São João

Tendo lido que este ano, 2013, o martelinho de S. João fazia 50 anos que pela primeira vez surgira na festa maior da nossa cidade, fui à procura da sua historia.
E encontrei. Tudo explicadinho.

Texto e imagens de Manuel Martinho de quem se reproduz, com o agradecimento por contar a sua história e assim a mesma ficar na História, como merece.


O primeiro martelinho


«A História dos martelinhos de São João 
O martelo de S. João foi inventado em 1963 por Manuel António Boaventura, meu Avô, industrial de Plásticos do Porto, que tirou a ideia num saleiro/pimenteiro que viu numa das suas viagens ao estrangeiro. O conjunto de sal e pimenta tinha o aspecto de um fole ao qual adicionou um apito e um cabo vindo a incorporar tudo no mesmo conjunto e dando-lhe a forma de um martelo. 

O objectivo inicial era criar mais um brinquedo a adicionar à gama de que dispunha. Nesse mesmo ano os estudantes abordaram o Sr. Boaventura com o intuito de lhes ser oferecido para a queima das fitas um “brinquedo ruidoso”, ao que o Sr. Boaventura acedeu oferecendo o que de mais ruidoso tinha...os martelinhos. A queima das fitas foi um sucesso com os estudantes a dar “marteladas” o dia todo uns nos outros e logo os comerciantes do Porto quiseram martelinhos para a festa de S. João. Esse ano o stock era pouco mas no ano seguinte os martelos foram vendidos em força para esta festa e ao mesmo tempo oferecidos pelo Sr. Boaventura a crianças do Porto. 

Assim o martelinho entrou nas festa do S. João sendo aceite incondicionalmente pelo povo nos seus festejos. 

A venda fez-se normalmente durante 5 ou 6 anos até que um dia o Vereador da cultura da Câmara do Porto, Dr. Paulo Pombo e o Presidente da Câmara do Porto Engº Valadas chegaram á conclusão de que este brinquedo ia contra a tradição e decidiram fazer uma queixa ao Governador Civil do Porto Engº Vasconcelos Porto, queixa esta que foi aceite tendo mesmo o Governador Civil notificado o Sr. Boaventura de que no ano seguinte estava proibido de vender martelos para a festa de S. João, mandando avisar que quem fosse apanhado com martelos na noite de S. João seria multado em 70$00 (na época ganhava-se cerca de 30$00), e mandando retirar os martelos das lojas comerciais onde estavam á venda. O que é certo é que o povo não acatou esta decisão e continuou a usar o martelo nos seus festejos. O Sr. Boaventura ao ver-se lesado e injustiçado nesta decisão do Governo Civil levou então a questão a tribunal, perdendo em 1ª e 2ª instância. (estava-se no tempo de Américo Tomás e Marcelo Caetano e consequentemente da PIDE). 

No entanto no ano de 73 recorreu para o Supremo Tribunal e ganhou a questão, podendo assim continuar a fazer os martelinhos que se tornaram tradição popular não só no S. João do Porto, como no S. João de Braga, Vila do Conde, Carnaval de Torres Vedras, Passagens de ano, campanhas de partidos políticos, etc.

Os martelos sofreram inúmeras alterações ao longo dos anos mas a tradição ficou e a sua história perdeu-se com o tempo....»

23 de Maio de 2013

View


in «The Pictorial Times», 1847. 
Revista semanal publicada entre 1843 e 1848.

22 de Março de 2013

View - 1843

in «The Illustrated London News», nº42, Vol II, 18 de Fevereiro de 1843

Vista da da barra do Douro - 1855


7 de Março de 2013

Segway em 1919

Foto: capa da revista Ilustração Portugueza, 12 de Agosto de 1919

Já em 1919 as «senhoras elegantes», pelo menos na cidade do Porto, davam os seus passeios numa trotinete a motor, antepassada dos modernos segway
Tratava-se de um veículo a 4 tempos, com 155 cc e velocidade máxima de cerca de 30 km por hora, fabricado nos EUA pela Autoped Company of Long Island City (Nova Yorque) entre 1915 e 1921 e criado por Arthur Gibson e Joseph Merke.
Mais tarde a germanica Krupp também fabricou  sob licença esses veículos entre 1919 e 1922, bem como outras empresas, na Checoslováquia e Inglaterra. 
A forma de funcionamento era bastante simples, bastando empurrar a colina da direcção para a frente para o veículo se mover, ou puxar para trás para travar. E podia ser dobrada na horizontal  para ser fácilmente arrumada ou transportada à mão.


1 de Fevereiro de 2013

31 de Janeiro de 1927

Por decreto de 12 de Outubro de 1910,  foi fixado, entre outros, o feriado nacional de 31 de Janeiro, como dia dos Percursores e Mártires da República.
Assim, entre 1911 e 1952 (altura em que foi extinto), foi comemorada a revolta portuense como festa nacional. 

Este pequeno filme, produzido pelos Serviços Cartográficos do Exército, em 1927, assinala a presença do Presidente da República, General Oscar Carmona na cidade do Porto, homenageando aqueles acontecimentos e condecorando diversos militares. 
As cerimónias, efectuadas na Praça da Liberdade deixam ver a rua dos clériogos e sua torre, e a bem conhecida e ainda existente Casa Navarro, para além de alguns edifícios em construção na avenida que se então se construía. 
O edifício da antiga Câmara Municipal havia já sido demolido em 1921, pelo que é visível ao fundo, em alguns planos a Igreja da Trindade, pois que a nova câmara ainda estava longe de sequer iniciar a construção. Pode ainda vê-se o Largo da Batalha onde decorre o dito «cortejo civil». E por fim a homenagem no Cemitério do Prado do Repouso, junto ao monumento que assinala esta data.




Escassos dias depois, a 3 de Fevereiro, rebentava na cidade do Porto uma revolta liderada pelo General Sousa Dias contra o governo de ditadura militar que terminou apenas no dia 9 e que se saldou num total de 80 mortos e 360 feridos.
Curiosamente, tal revolta foi liderada pelo Regimento de Caçadores 9, que neste filme vemos o Presidente da República a homenagear....

30 de Janeiro de 2013

«Actualidades portuenses» (1928)

Relação da Viagem Aerostática feita nesta Cidade a 25 de Junho de 1820


Porto, 28/Junho/1820, Relação da Viagem Aerostática feita nesta Cidade a 25 de Junho de 1820, por Mr. Robertson, filho

"Tendo o Professor Robertson pai, recebido em Lisboa as mais lisonjeiras provas de geral satisfação em todas as suas experiências, que tiveram um feliz sucesso, julgou que não devia deixar Portugal sem oferecer à cidade do Porto o raro espectáculo de uma viagem aerostática. Todas as pessoas eruditas, que se achavam na mesma cidade empenhar-se-ão em favorecer uma subscrição para este objecto: anunciando-se esta experiência para o domingo 25 de Junho, e sendo destinada para celebrar-se a festa do nome de S.M. Fidelíssima Rei do Reino Unido foi desempenhada felizmente no dia referido na bela Quinta do Prado, que pertence ao Excelentíssimo e Reverendíssimo Bispo do Porto.

A chuva, que desde as dez horas até ao meio dia caiu repetidas vezes, fez recear que a experiência fosse diferida; mas ao depois, serenando a atmosfera, Mr. Robertson principiou às três horas o trabalho necessário para a formação do gás hidrogénio, e às 5 horas a máquina, inteiramente cheia esperava o Aeronauta.

O Professor Robertson tinha prometido a sua sobrinha, a esposa do jovem Malabar, o prazer de a deixar elevar-se, estando a barquinha presa por uma corda; por isso antes da partida de Mr. Eugénio Robertson ela subiu a certa altura. Esta jovem, desejando há muito tempo fazer uma viagem aerostática, tinha escondido um canivete, e uma carta no seu lenço, e intentava cortar as prisões, que a retinham: apenas o seu intento foi descoberto por Mr. Eugénio Robertson, que se assustou, e não queria ceder o seu lugar a pessoa alguma, lançou mão rapidamente da corda principal e conduziu o balão até ao recinto. Então esta Dama cheia de coragem saiu da barquinha e Mr. Eugénio Robertson, substituindo o seu lugar, sustentando-se em pé, e tendo na mão a bandeira portuguesa elevou-se majestosamente às 5 horas e meia bradando: ”Viva El-Rei; Viva D. João VI”; e, lançando várias peças de versos em honra da Nação Portuguesa, análogas a tão brilhante circunstância.

Elevando-se o balão, o quadro que se desenvolvia debaixo dos pés do aeronauta tornava-se mais interessante; pois que o Douro, correndo ao longe, já parecia esconder-se por entre as montanhas, já descobrir-se de momentos a momentos. O viajante por uma parte via o Porto como num pequeno quadro; mas sem perder a menor circunstância, por outra parte divisava ao longe verdes florestas, deliciosos jardins, e campos cercados de parreiras que atraíam e encantavam seus olhos, e qual uma serpente, que dá tortuosas voltas para entrar na sua cova, assim o Rio Ave parecia dirigir-se para o mar.

O objecto mais tocante, que o aeronauta observou nesta viagem, foi a vista de mar, que brilhava debaixo de seus pés, e lhe parecia incendiado por todos os lados, efeito da reflexão do Sol que se ocultava no horizonte, e que sem dúvida foi a causa do viajante não sentir na altura a que se remontou o frio activo, que de ordinário se experimenta.

Mr. Eugénio Robertson viu certa poeira, que se levantava da terra, e julgando serem cavaleiros, que vinham ao seu encontro, tomou o óculo para melhor observar; mas era simplesmente o declive de alguns montes de terra argilosa, feridos pelos raios do sol que já declinava.

O Aeronauta, depois de ter subido em meia hora a uma grande altura, e achando-se por cima de uma floresta, escolheu um sítio sem árvores, e apto para findar a sua viagem; ele o conseguiu descendo tranquilamente perto da freguesia de Ferreiro um lugar além do Rio Ave, distante uma légua de Vila do Conde, e 5 léguas do Porto. As primeiras pessoas que apareceram no momento em que tocou a terra o nosso viajante foram dois caçadores, que presenciaram as duas ascensões, que fez em Lisboa; depois chegou a cavalo o Ajudante das Milícias de Vila do Conde, Lima, que tendo descoberto o aeróstato da varanda da casa do seu Tenente Coronel se dirigiu com ele para o sitio, em que lhes parecia cair o balão.

O Viajante recebeu dos mesmos Senhores todos os socorros possíveis, e os maiores testemunhos de estima; e, depois de ter pernoitado em casa do Ilustríssimo Major das Ordenanças em Bagunte, para onde o conduziu seu Filho o Ilustríssimo Tenente Coronel António Luiz, entrou no Porto no dia 26 quase ao meio dia, recebendo em todos os lugares por onde passou imensas provas de grande satisfação, e os aplausos que sempre costuma excitar em toda a parte esta rara e maravilhosa experiência. Reinou por toda a parte a maior ordem e harmonia em tão imenso concurso, efeito das sábias ordens que foram dadas pelo Ilustríssimo Desembargador Encarregado da Polícia, e pelo Ilustríssimo e Excelentíssimo Tenente General, Governador das Armas. – A tranquilidade, o contentamento, e a boa ordem que resplandeciam por toda a parte, e esta experiência feita em tais circunstâncias, parecia terem tornado este espectáculo uma verdadeira festa. No mesmo dia da viagem o público à noite deu provas da afeição que tinha ao jovem aeronauta, mostrando apenas acabou o teatro a sua impaciência, e o desejo de tornar a vê-lo; porém, não lhe foi possível voltar na referida noite ao mesmo teatro, como tencionava, para cumprimentar a tão respeitável reunião, e mostrar-lhe a sua eterna gratidão.

NOTA: Mr. Eugénio Robertson pela observação do barómetro avaliou a sua altura num quarto de légua no momento da maior elevação."

in Gazeta de Lisboa n.º 161, 10/Julho/1820

1 de Janeiro de 2013

A casa de Ricardo Severo

Sendo um exemplar da chamada «Casa Portuguesa», foi desenhada e construída pelo seu primeiro proprietário, Ricardo Severo, importante arquitecto, engenheiro, arqueólogo, escritor e político. 
Situa-se na rua que leva o nome do seu autor (Rua Ricardo Severo, antiga Rua do Conde).
Para uma melhor explicação sobre a relevância daquele edifício e do seu autor, consultar a tese de mestrado de Luiz Alberto Fresl Backheuser: «A casa do arqueólogo : contribuição ao estudo da obra de Ricardo Severo».

Presentemente a casa encontra-se abandonada e o edifício à venda.


Fotografia publicada na Revista de Turismo,nº13, de 5 de Janeiro de 1916
 

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