15 de Maio de 2012

«Douro, Faina Fluvial (1931,versão original), de Manoel de Oliveira

Realização e produção: Manoel de Oliveira Adaptação musical: Luís de Freitas Branco Fotografia: António Mendes

13 de Maio de 2012

«O Porto e a Cidade» de Manoel de Oliveira (1956)


(via pequeno ecran)

16 de Abril de 2012

Esculturas do Porto: «GUERRA JUNQUEIRO»

Local: Jardim da Casa-Museu Guerra Junqueiro, Rua Dom Hugo
Autor: Leopoldo de Almeida, inaugurada em 17 de Setembro de 1973


Abílio Manuel Guerra Junqueiro, nasceu em Freixo-de-Espada-à-Cinta, em 17 de Setembro de 1850 e faleceu em Lisboa, em 7 de Julho de 1823.
Escritor, poeta, jonralsita e político.
Licenciou-se em direito na Universidade de Coimbra em 1873, tornando-se depois secretário do Governo Civil de Viana do Castelo e de Angra do Heroísmo.
Eleito deputado ás Cortes portugueseas em 1878 e em 1890 pelo Partido Progressista.
Reside algum tempo em Lisboa, e em 1903 em Vila do Conde.
Instala-se no Porto em 1905.
Republicano após o Ultimato britânico de 1890, é candidato a deputado pelo círculo do Porto em 1908.
Com o advento da República é nomeado em 1910 embaixador em Berna, na Suiça até 1914.
Foi coleccionador de mobiliário, faianças, arte sacra, etc, cujo espolio foi doado pela sua filha à cidade do Porto, podendo ser visitado na Casa-Museu onde o poeta nunca viveu, mas que era pertença da família do seu genro Luis Mesquita Carvalho.

30 de Março de 2012

Fontes da Praça de Liége - 2


Fontanário em ferro, «Fundição de Massarelos - Porto», desactivado.

Fontes da Praça de Liége - 1


Não tenho qualquer indicação sobre a sua data ou origem. Se alguém quiser contribuir, agradecido.

25 de Março de 2012

3 fotografias da Ponte Maria Pia em construção

As três fotografias que a seguir se apresentam, pertencem à Biblioteca de Arte da Fudação Calouste Gulbenkian (*)
Na ficha respectiva se diz: «Fotografia sem data. Produzida durante a actividade do Estudio Mário Morais: 1933-1983».
Fácil de ver que não são produzidas por aquele estudio nem por aquele fotógrafo, nascido quando já há 22 anos circulavam comboios na ponte retratada....
Na verdade, são fotografias tiradas por Emílio Biel, aquando da construção da Ponte Maria Pia por Gustave Eiffel, entre 1876 e 1877.

Clikar nas fotos para serem vistas no tamanho original



10 de Março de 2012

Esculturas do Porto: «TREZE A RIR»

Autor: Juan Munoz (2001)
Localização: Jardim da Cordoaria
Conjunto de 4 «bancadas» compostas por treze figuras
Oferecido á cidade pela empresa espanhola Crédito y Caucion S.A. no âmbito da Porto 2001 - Capital Europeia da Cultura.


Foto: Wikipedia

Esculturas do Porto: «ANTÓNIO NOBRE»

Autor: Tomás Costa (1926)
Localização: Jardim da Cordoaria
Conjunto  escultorico constituído por base de mármore e busto do poeta em bronze.




Fotos G.S.

Esculturas do Porto: «O RAPTO DE GANÍMEDES»

Autor: Fernandes de Sá (1898)
Localização: Jardim da Cordoaria (Desde 2010. Inicialmente - 1915 - situava-se na Praça da República)


«Em 1898 nascia a primeira obra de Fernandes de Sá, “O Rapto de Ganímedes”, uma prova admirável de assimilação do espírito da arte francesa de então, ensinada pelos Mestres Falguiére e Puech, dois vanguardistas de oposição ao revolucionismo estético de Rodin. “Serviu-me de modelo para o Ganímedes um lindo rapazinho italiano. Trabalhei dias e dias com todo o ardor e toda a vontade. Por vezes, esquecia-me de comer e ia almoçar às três e quatro horas da tarde. Ah, mas valeu a pena! O Rapto de Ganímedes, para deslumbramento dos meus 23 anos, foi admitido no Salon (1989), na Exposição Universal de Paris (1900) e na Exposição da Sociedade de Belas-Artes de Lisboa (1902).”(*)


Foto G.S.

Esculturas do Porto: «RAMALHO ORTIGÃO»

Autoria de Leopoldo de Almeida (1954)
Localização: Jardim da Cordoaria


Foto G.S.

José Duarte Ramalho Ortigão nasceu a 24 de Novembro de 1836, no Porto e faleceu em Lisboa, a 27 de Setembro de 1915.
Era filho de um combatente das guerras liberais, oriundo do Algarve e que ficou pela cidade do Porto onde era Director do Colégio da Lapa. Ramalho Ortigão, depois dos estudos elementares no colégio dirigido pelo seu pai, frequentou a Universidade de Coimbra onde estudou Direito.
De regresso ao Porto, aos 19 anos, começa a dar aulas de francês no colégio paterno, ao mesmo tempo que inicia a sua colaboração em jornais e revistas. Efectuou várias viagens ao estrangeiro e percorreu intensamente Portugal, publicando diversos livros e crónicas de viagens. Envolveu-se em várias questões literárias, tendo mesmo disputado um duelo de espada, a 27 de Fevereiro de 1866 no Jardim d'Arca d'Água com Antero de Quental, de quem ficou depois grande amigo.  Era igualmente amigo de Eça de Queirós, com quem escreveu um célebre folhetim «O mistério da estrada de Sintra» e iniciou uma longa série de crónicas: «As Farpas». Em 1867 muda-se com a família para Lisboa, tornando-se secretário da Academia de Ciências e anos mais tarde será bibliotecário da Biblioteca da Ajuda, da qual se demite 10 dias após a instauração da República em 1910. Desagradado com o novo regime, exila-se voluntariamente em Paris de onde regressa apenas em 1912, vindo a falecer na sua casa da Calçada dos Caetanos, em Lisboa.

Esculturas do Porto: «D. António Ferreira Gomes»

Autoria de Arlindo Rocha, 1991.
Localização: Praça de Lisboa/Rua S. Filipe Nery
Oferecida à cidade do Porto pela Fundação Engº António de Almeida
Inaugurada em 13 de Abril de 1991, no Campo dos Mártires da Pátria.
Mudou para a actual localização em 10 de Maio de 2005.


Foto G.S.

9 de Março de 2012

Esculturas do Porto: «FLORA»

Localização: Jardim da Cordoaria.

Escultura da autoria de António Teixeira Lopes, inaugurada a 20 de Agosto de 1904.


Foto G.S.

Obra realizada em homenagem ao horticultor e floricultor José Marques Loureiro, cujo nome e efige em bronze se encontravam na base da peça, mas da qual desapareceu, apenas restando algumas letras metálicas do nome do homenageado.
Nascido em 13 de Dezembro de 1830, na freguesia de Besteiros, concelho de Amares, instalou-se na cidade do Porto em 1844. onde arrendou a Quinta das Virtudes, criando o Horto das Virtudes, pelo qual se tornou famoso, dada a grande criatividade, conhecimento e beleza das suas produções. Autor, entre muitos outros jardins do norte de Portugal, do Parque das Termas de Vizela (1885/1886).  Participou em diversas exposições, nacionais e internacionais, obtendo reconhecido mérito. Fundador e director do Jornal de Horticultura Pratica (1870/1892). Criou em 1849 a Companhia Hortícola-Agrícola Portuense, a qual tinha também arrendado um campo de cultivo na Rua da Rainha, actual rua de Antero de Quental, em terrenos onde foi construído o Campo da Rua da Rainha, primeiro palco desportivo do F:C.P. fundado em 1906. Criador de várias espécias de camélias, entre as quais a «Bela portuense» e «Picturata Plena Portuensis». Faleceu no Porto em 14 de Junho de 1898.


A peça que falta ao monumento e que foi furtada ou que se encontra desparecida, é esta, a da direita (via Dias com Arvores)

8 de Março de 2012

PONTE PÊNSIL NO PORTO


(clikar na imagem para ver com mais pormenor)


A gravura que adorna o rosto d’este numero, é cópia de uma excellente photographia da collecçao do sr. Seabra.  Representa o bello e pittoresco formado pelas extremidades de léste do Porto e Villa Nova de Gaia, pela serra do Pilar e penedia do Prado do Bispo, pelo Douro de apressada corrente, por extensas cordilheiras de montanhas, que as margens do rio se vão elevando umas sobre outras, até se perderem no horisonte.
Do lado esquerdo vé-se, no primeiro plano, a encosta por onde a cidade vem descendo do alto monte até á rua chamada de Cima do Muro, por correr sobre um lanço da antiga cérca de muralhas que defende esta parte da povoação das invasões de um inimigo que todos os annos lhe causa mais ou menos prejuízo -  o Douro entumecido com as aguas do inverno. No ponto mais elevado da encosta avulta o lanço da velha cêrca, com as suas ameias e uma torre.  É o lanço que protegia a cidade pelo lado de léste, descendo da porta do Sol pelos Guindaes até á Ribeira. Hoje serve de muro da cérca das freiras de Santa Clara, e a torre de mirante, para o que a cobriram com telhado, construindo no logar das ameias, nas quatro, frentes janellas com grades de ferro.
Este apinhoado de casas em forma de throno offerece um aspecto pittoresco a quem o contempla do rio, ou da margem opposta, mas interiormente é hediondo. Figure se uma rede emaranhada de ruas e viellas tortuosas, estreitas, immundas, orladas de casaria de muitos andares, que mal deixando penetrar o sol e girar o vento livremente, conservam o pavimento das ruas sempre humido e infecto. É um bairro parecido com o nosso de Alfama, com a differença,  porém, de que neste já entrou de algum modo o progresso, reconstruindo, canalisando e aceiando as ruas. Entretanto, no meio d’aquella casaria, em geral de apparencia pouco agradável, existe uma antigualha que merece attenção, e que faz pena não estar melhor situada. É uma casa nobre de architectura gothica, com suas janellas de columna ao centro e coroa de ameias em volta do telhado. É construcção do principio do seculo XVI e propriedade e residencia da familia Van Zeller. A frontaria principal, em que se abrem duas galerias de janellas, deita para a rua da Reboleira, que é uma das peiores d’aquelle bairro. Os outros dois lados da casa apparecem na estampa por detraz da rua de Cima do Muro.
Além do antigo lanço de muro ameiado da cérca das freiras de Santa Clara, descobre-se ainda a cidade estendida sobre altas e escarpadas rochas, que o rio banha. Vêem-se alli algumas bonitas casas com seus jardins. e o passeio das Fontainhas que consiste em uma pequena alameda sobranceira ao Douro guarnecida de assentos de pedra,  e com uma fonte de muito boa agua. Goza-se d’aqui uma perspectiva de infinita belleza e de variadissimos contrastes.
Aquella estreita garganta de fragas inhospitas e denegridas, que apertam a corrente do rio até vir lançar-se por diante da cidade;  as montanhas que se erguem no fundo do quadro; e a serra do Pilar com o seu historico mosteiro feito em ruinas pela guerra, e condecorado por galardão com as honras de fortaleza de primeira ordem, já os nossos leitores as conhecem pelas gravuras e artigos publicados a pag 49 d’este volume, 381 do v, e 105 do iv.  De Villa Nova de Gaia, cujo extremo de léste se espélha no Douro aos pés d’aquelle mosteiro, havemos de tratar com mais vagar e em occasião opportuna.  Esta importante povoação emporio dos vinhos do Alto Douro, centro de grande industria, pede artigo especial e um logar distincto neste semanário. Resta-nos portanto fallar da ponte pênsil, que, unindo a cidade do Porto a Villa Nova de Gaia, dá passagem á magnifica estrada macadamisada que atravessa Portugal desde Lisboa até aos Arcos de Val de Vez, e em breve até Valença
 Durante seculos era uma ponte de barcas que communicava as duas margens do Douro, em frente da segunda cidade do reino. Já se vé que no inverno ficavam muitas vezes, e por longo espaço de tempo, interrompidas as relações da capital não só com o Porto, mas tambem com as provincias no norte;  pois que as cheias do rio tão communs n’essa estação, obrigavam logo a auctoridade a mandar desprender as barcas e levantar a ponte, para que a violencia da corrente a não destruisse e arrebatasse como não poucas vezes succedeu, ora por desleixo na promptidão das ordens, ora pelo repentino crescimento das aguas.
 As immensas difficuldades que apresenta este rio para ser cortado por uma ponte de pedra, explicam naturalmente a razão por que até aos fins do seculo passado se não proveu de remedio a tão grande mal. Porém deixar correr mais de meio seculo depois que a arte introduziu e multiplicou na Europa as pontes suspensas, inventadas pelos chins, sem que se fizesse um esforço para remover aquelle grande estorvo, e causa de prejuizos ao nosso commercio interior, é coisa que não se pôde explicar senão pelo nosso proverbial desleixo. As invasões e guerras do principio d’este século, e as luctas e discordias intestinas que absorveram com pequenos intervallos os seus dois primeiros quartéis, não bastam para desculpa de tão grande incúria.
 Coube porém ao reinado da sra D. Maria II, de saudosa memoria, a gloria de dotar a cidade do Porto e o paiz com um melhoramento tão importante, como foi a ponte pensil que ora atravessa o Douro. A primeira tentativa data do anno de 1837, em que o sr. conde de Lucotte, por parte de uma companhia, apresentou ao governo uma proposta para a edificação de uma ponte suspensa entre o caes de Vlla Nova de Gaia e a praça da Ribeira no Porto. A proposta ia acompanhada de uma planta da projectada ponte feita pelos engenheiros mrs. Mellet e Bigot. Annuiu o governo promptamente. mas a camara municipal do Porto e os moradores da praça da Ribeira representaram contra este projecto, allegando que as construcções e amarrações proprias de uma ponte suspensa entrariam muito pela praça dentro, obstruindo-a e embaraçando o grande movimento commercial que ahi ha diariamente.
Para obviar a estes inconvenientes modificou a companhia aquelle plano de modo, que,  em logar de dois arcos de suspensão erigidos nas extremidades da ponte, construir-se-hia só um ,mas colossal, no meio do rio, e nas duas margens apenas quanto bastasse para prisão das amarras.
 A camara municipal approvou e applaudiu muito este projecto, que a diversas vantagens economicas e de muita importancia para a cidade juntava a elegancia e riqueza de construcção como monumento publico, sobretudo no grande arco de suspensão que era verdadeiramente triumphal.
 Chegou a dar-se começo aos trabalhos, porém taes duvidas e receios se originaram, de suppostos perigos e prejuizos maritimos na occasião das maiores cheias, e de pejamento no porto,  que se levantou e tomou vulto uma forte opposição á edificação da ponte n’aquelle sitio.  Recorreu a companhia ao governo e este consultou o inspector geral das obras publicas do reino o fallecido Luiz da Silva Mousinho de Alhuquerque.  Este sabio funccionário partiu immediatamente para o Porto; ouviu as queixas e apprehensões , axaminou as diversas localidades apropriadas á execução da obra, escolheu para este fim as abas da serra do Pilar, logar em que principia a levantar sobre o Douro, junto a Villa Nova, a massa informe de suas graníticas. Mousinho de Albuquerque baseou a escolha nas seguintes razões: 1º  Deixar livre e desembaraçado o porto da cidade ao seu grande e crescente commercio marítimo; 2º Procurar situação onde, em tempo opportuno, podesse a ponte dar á nova estrada de Lisboa ao Porto, sem as difficuldades de expropriações onerosissimas como veio a realisar-se ha poucos annos. 3ª Poder-se construir ponte em elevação muito superior ás maiores cheias, conservando-se por conseguinte, sempre viavel ,dissipando d’est’arte os terrores panicos de que sobrevir tal crescimento de aguas, que estas arrebatassem a ponte e varressem com ella para o mar todos os navios ancorados no rio. Adoptado este alvitre pelo governo e pela companhia, a coutento tambem da camara municipal, e aprovado o novo risco da ponte feito pelo engenheiro Estanislão Bigot, fez-se a inauguração dos trabalhos no dia 2 de maio de 1841, anniversario da abdicação do sr. D. Pedro IV na pessoa de sua augusta filha, a sra D. Maria II. Celebrou-se aquelle acto com a solemnidade usada em taes casos, assistindo á ceremonia as auctoridades e camaras municipaes Porto, e Villa Nova de Gaia.
No principio de fevereiro de 1843 estava ponte acabada, restando apenas a conclusão de obras accessorias. Fizeram-se, pois, as experiencias, collocando se sobre o leito da ponte consideravel peso, que se compunha de muitas cheias de agua e de grande quantidade de madeiras. Ouando a companhia, porém, se occupava dos preparativos para dar a maior solemnidade á abertura ponte ao transito publico, sobreviveu uma cheia tão grande no dia 17 do dito mez de fevereiro, que foi mister tirar logo a ponte de barcas, e franquear ao povo a nova ponte sem mais ceremonias de inauguração.
Desempenhou o engenheiro com muita e felicidade a diflicil missão de que se encarregou. A ponte ficou elegante, sólida, e monumental; e tanto acerto e prudencia foram dirigidos os trabalhos, que não houve accidente algum desastroso durante sua construcção, circunstancia digna, por certo se notar em uma obra grande e ousada.
A extensão total da ponte é de 170m,14, mais 15 metros do que a largura do Douro. O pavimento, incluindo os dois passeios dos lados, é de 4m,10 de largura; a elevação acima do nivel do rio, no seu estado normal, é de 10 metros ou pouco mais. Suspendem a ponte quatro obeliscos ou pilares de granito, collocados dois em cada extremidade, unidos junto aos capiteis, que são de ordem dórica, por uma barra ou travessa de ferro, em se lé a seguinte inscripção: «D. Maria II -  1842».  Os obeliscos tem quatro faces, 18 metros de altura, e são coroados com umas espheras de pedra acroterios. A madeira empregada no pavimento e guardas foi toda de pinho de Flandres.  As traves, cabos de amarração, e de suspensão, estribos, etc., tudo é de ferro.  
A obra de madeira tem sido por vezes reformada.  A de ferro cremos que ainda se conserva em estado, apesar dos vinte e um annos de uso e tão pesado. Todavia, não tem faltado apprhensões  acerca da sua segurança, as quaes tem levado a auctoridade a proceder a novas provas, carregando a ponte com grandes pesos durante um certo espaço tempo. Porém a mais cabal prova, do que essas experiencias officiaes, assistimos nós em um dia de dezembro do anno passado, pois que vimos aguentar ponte o peso e o balanço que lhe imprimiam dez carros, todos com grandes cargas, passando ao mesmo tempo em direcções oppostas, e juntamente com muita gente a pé, e alguma a cavallo. Este facto, que é sem duvida uma imprudência, mas que repete de ordinario em certos dias da semana, em que é extraordinariamente grande a concurrencia dos o do povo dos arrabaldes do sul á cidade, deve fazer desvanecer a exaggeração das apprehensões. Entretanto não pôde dispensar a companhia, nem a auctoridade, de exercerem constante vigilancia e fiscalisação, para que seja bem conhecido o estado de segurança da ponte, e se evitem imprudências, que podem ser causa de uma gravissima desgraça. As despezas de construcção d’esta ponte foram feitas por uma companhia de accionistas, que usufrue compensação os rendimentos da mesma ponte, consistem no preço da passagem dos transeuntes, segundo a tabella estatuida pelo contrato feito com governo e approvado pelas cortes.

I.   de  Vilhena Barbosa


in Archivo Pittoresco, Ano de 1864



Igreja e rua dos clérigos



Porto - Egreja dos clerigos e calçada do mesmo nome 

      Este templo, que dá celebridade ao Porto pela sua elevadissima e grandiosa torre, teve principio em 1732 no alto de uma calçada n'esse tempo chamada da Natividade. Foi fundado por uma irmandade de clerigos, em que entravam alguns seculares das principaes familias da cidade. O risco e execução dos trabalhos foram dirigidos por Nicolau Nasoni, architecto italiano. 
   Concluiram-se as obras em 1763 sendo tão demoradas tanto pela grandeza da fabrica como pelas avultadas sommas que annualmente consumiam. Verificou-se a sagração do templo no dia 12 de dezembro de 1779, sendo celebrante o bispo do Porto, D. Fr. João Raphael de Mendoça, filho do quarto conde de Val de Reis. Foi dedicada a egreja a Nossa Senhora da Assumpção, mas como o povo começasse a denominal-a durante a sua construcção, egreja dos Clerigos, ficou-lhe este nome popular pelo qual hoje é designada e geralmente conhecida. Da egreja passou tambem este nome para a calçada. 
    Por todos os lados se acha desaffrontado este edificio religioso. O fronstispicio olha para léste, e ergue-se no topo da calçada dos Clerigos. As lateraes estendem.se por duas ruas; e a frente oposta á principal que é formada desde os alicerces pelo edificio da torre, deita para um largo.
    Como bem se pôde julgar á vista da nossa gravura, o frontispicio é mais rico do que bello. Quando os ornamentos são de bom gosto, e se acham convenientemente distribuidos, se não supprem, nem escondem a falta de boas proporções no todo do edificio, conseguem ás vezes disfarçar este defeito, distrahindo d'elle os olhos do observador. Porém no presente não succede assim, porque o defeito referido é aggravado pela accumulação dos ornatos, em geral pouco graciosos e ainda por cima grosseiros, pois que o granito não admitte delicadezas de cinzel.
     Entre os dois nichos com estatuas que se véem corpo superior do frontispicio está a tiara pontificia sobre uma almofada, e no vertice do frontão a cruz de tres braços ornada com folhagem de palmas. É uma duplicada homenagem ao principe dos apostolos como patrono dos clerigos seculares fundadores do templo, e aos papas que concederam a esta egreja differentes graças e privilegios. 
     O interior do templo ostenta riqueza em obra talha doirada e na tribuna da capella mór que é de marmore, e no alto da qual avulta a imagem da padroeira Nossa Senhora da Assumpção. Dizem que importára esta tribuna em mais de vinte contos de réis. Na capella-mór está depositado o corpo de Santo Innocencio martyr. Decoram a mesma capella dois orgãos de excellentes vozes. 
    Pelas fachadas lateraes junto ao envasamento, corre um passeio lageado guarnecido de balaustrada e mais elevado que o pavimento das ruas. Na porta travessa que se abre na fachada do lado do norte está gravada uma inscripção latina que declara a padroeira a quem a egreja é consagrada e quem foram os fundadores d'esta. 
    Contiguo ao templo e comprehendido no edificio acha-se um hospital para clerigos pobres muito boas accommodações e perfeitamente servido.
    A torre com os seus setenta e cinco metros de altura levanta-se garbosamente, sobresaindo a todos edificios da cidade, e servindo de balisa aos navios que demandam a barra do Douro, pois que se a dez legoas de distancia da costa. Tambem pela mesma razão offerece aos viajantes que subirem os 240 degraus da sua escada interior um admiravel da cidade, dos seus formosos arrabaldes, de longinquas cordilheiras de serras, do rio, e Oceano. Como obra de arte deixa muito a desejar;  e só é notavel pelo arrojo do pensamento que a elevou a tamanha altura.  Não foi parco o archilecto nos ornamentos, mas não lhe assistiu bom gosto na escolha d'elles como lhe aconteceu com a frente principal egreja. 
   A confraria dos clerigos provê largamente a todas as despezas do culto divino e do hospital. As funcções religiosas são nomeadas pela magnificencia e boa ordem que n'ellas reinam, para o que muito concorrem a abundancia e riqueza dos paramentos e alfaias que o templo possue. Esta irmandade tem contado no seu gremio muitos prelados e outras illustres. Entre aquelles figura o primeiro cardeal patriarcha de Lisboa, D. Thomaz de Almeida. 
   A calçada dos Clerigos desce com bastante declive desde a frontaria do templo até á praça de D Pedro. Prestando-se, pela sua muita largura a ser guarnecida de arvoredo, mandou a camara municipal modernamente plantar dois renques de arvores um de cada lado junto aos passeios. Quando o sr. Seabra tirou a photographia de que é cópia a nossa gravura, ainda não existiam alli as arvores, e era a macadamisada. Actualmente está calçada com pedras cubicas, todas de eguaes dimensões. 
     É a calçada dos Clerigos um dos sitios mais concorridos do Porto. Deve esta vantagem a diversas circunstancias taes como: a sua visinhança de parte do principal mercado publico, e da outra, da praça de D. Pedro, e de outras ruas onde o movimento commercial é mais activo;  as lojas de variados objectos que a guarnecem;  e a ser a mais bela communicação da cidade baixa para a alta. 
O mercado do Anjo, assim chamado por ter sido edificado no logar dantes ocupado pelo recolhiemnto d'aquella denominação, fica ao norte da egreja dos Clerigos,  apenas separado d'ella por uma rua. As lojas referidas encerram, no maior numero, fazendas de seda, lã, linho e algodão, e muita diversidade de objectos de moda, porcelanas, cristaes, bronzes etc. Nenhuma se faz notar pela elegancia da armação, nem pela bonita disposição dos productos, mas algumas são notaveis pela muita cópia, e mesmo pela riqueza d'estes ultimos.

I. de Vilhena Barbosa  


in Archivo Pittoresco, Ano de 1864

25 de Janeiro de 2012

Ofício

Carta enviada pela C.M.P. ao Comandante Militar do Porto:


Illmº Snr. 
Chegando ao conhecimento da Câmara as exactas informações que as imundices com que se acha obstruida a Rua de S. Bento da Vitória, são provenientes dos dejectos que se fazem das janelas do extinto Convento de S. Bento do Comando de Vª Sª, rogo por isso se sirva dar as providencias necessárias a evitar taes despejos prejudiciais a quem transita pela rua e ao público em geral.
Deus guarde Vª sª.
Porto, 8 de Março de 1841
Illmº Sr. José Ricardo Peixoto
José Maria Ribeiro Pereira, Presidente Interino
 

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